Titulo
RESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANARESISTÊNCIA DIGITAL LATINO-AMERICANA

Em um contexto regional marcado por um avanço sistemático de políticas regressivas que afetam os direitos de mulheres e dissidências, surge a necessidade de articular respostas coletivas a partir do sul global.

O ETDD nasce em um dia como hoje, em junho de 2023, quando diferentes organizações, coletivas, companheiras/os ativistas e defensoras dos direitos digitais e feministas da região coincidimos na RightsCon Costa Rica - Um encontro global que intersecciona DDHH e tecnologia-.

No início nos pensamos como um encontro no qual as linhas de ajuda e acompanhamento em violência de gênero digital pudessem trocar experiências, estratégias e cuidados. No entanto, logo decidimos expandir a convocatória a outras orgas e compas que defendem os direitos digitais e promovem uma internet segura, feminista e de livre acesso.

Através de IP’s implantadas na América Latina e no Caribe nos juntamos online. Assim, de maneira autogestionada somamos esforços, sonhos, desejos e ampliamos redes durante mais de dois anos e meio de preparação do ETDD. Nos propusemos uma ação coletiva descentralizada em três nós: nó Andino, nó Sul e o nó Mesoamericano.

Realizamos um trabalho conjunto, colaborativo e horizontal mediante uma rede diversa de coletivas integradas por mais de quinze (15) organizações e vontades. Participamos desde países como: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Uruguai e México.

Somos um espaço autoconvocado, horizontal e criativo, onde a tecnologia é território de disputa e cuidados. Nossa história juntes demonstrou que a resistência digital requer estruturas comunitárias sólidas. Construímos desde a América Latina e o Caribe e ampliamos nossas redes transhackativistas. Consensuamos acordos sobre práticas de cuidados, que são indispensáveis para a construção dos nossos futuros coletivos.

Queremos nos consolidar como uma Rede/Aliança Transhackfeminista Latino-americana autoconvocada, horizontal e criativa, que conecta um mapa regional de lutas e promove uma internet transfeminista, soberana e livre de violências.

Nível Individual
Em um contexto de múltiplas violências e agudização das novas direitas misóginas e autoritárias, é necessário nos fortalecermos criando comunidade, aprofundando nossos vínculos de confiança, apoio e solidariedade.
Nível Organizativo
Em um contexto de crise econômica no setor e na região, o Encontro se reinventou para se organizar por nós coordenados de maneira regional, com o fim de manter ativos nossos espaços de ativismo. Contamos com ações locais de ativismo, formação e acompanhamento conectadas mediante espaços híbridos e colaborativos.
Nível Comunitário
Buscamos construir uma agenda regional e precisamos destes espaços para nos relacionarmos, compartilhar conhecimento, estabelecer alianças e promover ações concretas para amplificar nossos impactos.
3L D3CAL0G0 ETDD 2025
1. Aprofundar nossos vínculos de confiança, apoio e solidariedade
2. Construir uma agenda regional para nossos transhacktivismos
3. Amplificar nossos impactos através de colaborações
4. Criar estratégias de prevenção e resistência de violências contra nossos movimentos e demandas
5. Compartilhar conhecimentos e reforçar nossas metodologias e ferramentas com base nos saberes e cosmovisões de nossas pares
6. Construir juntas reflexões ao redor de cuidados comunitários e prazeres transhackfeministas no contexto de acompanhamento e defesa de uma internet transfeminista
7. Consensuar acordos sobre nossas práticas, e definir próximos passos como rede para a resistência digital, e fortalecer nossas ferramentas de luta e resistência
8. Aplicar práticas de cuidados comunitários interseccionais como a escuta ativa e empática, a resolução de conflitos, a construção de acordos baseados no consentimento e nas práticas corporais e a redução e alívio do estresse e do trauma
9. Aprofundar nos debates sobre autonomia digital, transfeminismo, ativismo, racismo ambiental, crise climática e interseccionalidade dadas nossas diferenças territoriais, políticas, culturais e contextuais
10. Autogestionar o espaço e ter momentos de convivência ao organizar e limpar espaços, preparar alimentos e comer, ter momentos de música, dança e arte. Em definitivo, também nos alimentar

Estamos interconectades, por isso, cada proposta, posição ou iniciativa é válida, tem o mesmo peso e prioridade. Sabendo-nos entrelaçadas, as decisões coletivas são tomadas através de assembleias online, de forma horizontal e a partir do diálogo e da escuta ativa. O centro da nossa forma operativa é a criatividade, a autogestão e a colaboração.

Somos polvo e expandimos nossos tentáculos para nos desdobrarmos em Comissões: comissão logística, Comissão de metodologia, Comissão de fundos e comissão de comunicação, e chegar assim ao nosso primeiro destino: o ETDD.

Como fizemos?

  • Contamos com um Acordo de Cuidados Comunitários e Regionais baseados no consentimento e nas práticas corporais (de convivência, de resolução de conflitos, de redução e alívio do estresse e do trauma), identificando as interseccionalidades dadas devido às nossas diferenças territoriais, políticas, culturais e contextuais.
  • Criamos um grupo de trabalho que sistematize nossas memórias, encarregadas do desenho de um relatório que represente a visão dos três nós territoriais.
  • Realizamos um guia metodológico que contém os acordos comuns de base para articular a gestão do ETDD entre os diferentes nós. Além desses consensos, cada nó teve autonomia para adaptar e expandir as orientações segundo seus contextos, necessidades, motivações, desejos e criatividades.
  • Adaptamos planos de segurança integral em cada nó para os encontros presenciais, virtuais e o manejo da informação e memória dos conteúdos com cuidados de segurança digital.
  • Geramos uma organização e metodologia participativa por cada nó na qual todas as orgas, coletivas, grupas, companheiras/os expressaram suas opiniões, necessidades, propostas e aportes.

Ano 2025

Julho: encontro Nó Andino (Peru, Colômbia, Equador e Bolívia)

Agosto: Encontro Nó Sul e Mesoamericano (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e México)

Ano 2026

Março: encontro Inter-espacial

  • Realizamos mais de 15 oficinas no nó Andino, Sul e Mesoamericano para reforçar nossas metodologias e ferramentas com base nos saberes e cosmovisões de nossas pares. Dialogamos, compartilhamos conhecimento e aprofundamos em temáticas como: Descolonização digital e violência digital para além do gênero; autonomia digital e transhacktivismo; gênero, sexualidade e identidades de gênero online; defesa de uma internet transfeminista; estratégias para a coordenação de redes e financiamento coletivo; desinformação e novas direitas; racismo ambiental e crise climática; autonomia digital, transfeminismo e ativismo.

  • Realizamos o Encontro virtual Inter-espacial para realizar um intercâmbio de sentires, experiências e desejos para o futuro. Indagou-se nos aprendizados e nas possibilidades de aliança após os encontros presenciais de 2025 e dos encontros virtuais de mais de dois anos.

Em julho de 2025 nos encontramos na Bolívia. Conectamos desde lá, desde o Puliwya -como chamam em quéchua-, também chegamos desde Equador, Colômbia e Peru. Atravessadas pela cordilheira dos Andes, as selvas Amazônicas e as alturas montanhosas, decidimos trocar nosso VPN por um em comum.

Foram cinco (5) dias de encontro nos quais abordamos temáticas vinculadas com nosso corpo e o território, seus entrecruzamentos e a simbiose, levando em conta os efeitos e impactos da desinformação, o avanço das novas direitas, o racismo ambiental, entre outros temas que nos atravessam. Refletimos sobre a atenção e acompanhamento das violências de gênero digitais em nossa região. Fizemos uma partilha de estratégias, ações e criatividades para viver nossos ativismos, tendo em mente as alternativas digitais e infraestruturas tecnológicas transfeministas.

Estes são os grandes temas e os horizontes que decidimos abordar no encontro Andino:

Territórios, contextos e avanço das novas direitas
Reconhecemos nossas organizações, territórios e corpos. Narramos as lutas que enfrentamos, as estratégias que estamos desenvolvendo, as que precisamos e as que agora seguem sendo razão de uma digna raiva. Abrimos um espaço de análise coletiva da conjuntura política e territorial que habitamos no nó andino e observamos as semelhanças e diferenças que experimentamos em temas como a desinformação, o avanço das novas direitas, o racismo ambiental, a crise climática, a autonomia digital e os ativismos transfeministas.
Violências digitais
Conversamos sobre as representações e significados situados que damos à atenção das violências digitais em nossa região. Conversamos e conhecemos os contextos e particularidades dos territórios, fazendo-nos perguntas como: Há Violências de Gênero Digitais que se apresentam com mais intensidade em nossa região? Como se descoloniza a atenção e ajuda das VGD na América Latina - Região Andina? Que formas de resistência podemos construir de forma conjunta?
Ativismos e tecnologias transfeministas
Abordamos estratégias, ações, criatividades e dúvidas que temos em torno de dois temas fundamentais para nossos ativismos e organizações: i) Internet e tecnologias digitais transfeministas; e ii) Cuidados e acompanhamento de quem cuida e acompanha Violências de Gênero Digitais na zona andina.

Nos perguntamos: o que gostaríamos de reafirmar na construção de uma internet e tecnologias transfeministas? Sobre o que duvidamos, discordamos, pensamos diferente? Queremos retomar ou revisar princípios, acordos, reflexões sobre a internet feminista a partir das práticas e olhares do sul? O que gostaríamos de construir juntas: que agendas e estratégias coletivas podemos traçar? Como praticamos os cuidados em nossas organizações e espaços? Que necessidades geram os cenários atuais de ascensão das direitas? E o que desejamos para sermos cuidadas e o que precisamos tecer entre nós para que seja possível?

Memórias do Nó Andino

O encontro do Nó ANDINO se desenvolveu em um lugar lindo em Coroico, onde a beleza do entorno —incluindo visitas ao Salar de Uyuni e cachoeiras— acompanhou um processo de geração de laços de confiança a partir da presencialidade. A programação combinou momentos de alegria e cultura, como dançar saya, música afroboliviana e karaokê, com espaços de reflexão profunda sobre como o contexto de vigilância, governo e perseguição afeta os corpos. As participantes chegaram sobrecarregadas e desesperançadas, mas o encontro se converteu em um momento para compartilhar e se encontrar em espaços seguros através de tarô, cartas e fofoca. Realizaram-se oficinas de análise forense e cartografias de como estavam os territórios e corpos, permitindo acompanhar-se a partir da ternura frente à ansiedade de tudo o que acontece. A pergunta "quem está cuidando das acompanhantes?" revelou a necessidade de refletir sobre os cuidados internos, enquanto conhecer as coisas incríveis que as compas fazem inspirou novas possibilidades. A chuva que impediu usar a piscina deu origem à piada da próxima na praia, evidenciando a capacidade de transformar contratempos em promessas de futuro. A necessidade de nos encontrarmos presencialmente e o bem que nos faz ficou como conclusão central, com a certeza de que nos vermos possibilita relações de confiança fundamentais para a continuidade do trabalho coletivo.

Narração do Nó Andino no Encontro Interespacial

No Nó Sul participamos 20 pessoas, das quais 17 pertencem ou colaboram com organizações do Nó Sul e 3 são do México-América Central.

As atividades do ETDD no Nó Sul se realizaram ao longo de cinco (5) dias. Foram desenhadas e realizadas três oficinas por dia, autogestionadas e facilitadas pelas coletivas e ativistas autoconvocadas. Dividiram-se nas seguintes temáticas: 1) Cuidados das cuidadoras, 2) Corpos e identidades de gênero online, 3) Autoritarismo e extrema direita, 4) Descolonização digital e violências digitais para além do gênero e 5) Estratégias para a coordenação em rede e financiamento coletivo.

Contamos com diversidade de metodologias para realizar as oficinas, além de atividades criativas e disruptivas e espaços coletivos de design e trabalho colaborativo.

Cuidando as cuidadoras
Realizou-se a atividade de "Apresentação, Trajetórias e Desejos". Mediante um círculo grupal e uma partilha coletiva, colocamos em jogo nossa escuta ativa e presença para compartilhar as trajetórias das 20 participantes do encontro, socializamos os contextos de cada um de nossos países (Brasil, México, Argentina, Colômbia, Peru, Equador, Paraguai, Uruguai e Chile) em nossos exercícios como ativistas e defensoras.
Falamos sobre os diversos eixos de trabalho de cada uma, abrangendo desde a investigação forense, o acompanhamento em linhas de ajuda, a segurança digital, a divulgação e investigação de DDHH, o acompanhamento jurídico, a programação e o treinamento de dados, entre outros eixos.
Corpos e identidades de gênero online
Nesta oficina, convocou-se um espaço de cuidado que convidou a pensar como se entrelaça nosso corpo-território com o espaço digital, através da metodologia de mapeamento coletivo e da cartografia emocional e corporal. Conversamos ao redor do corpo como experiência e das manifestações que essas experiências têm no corpo digital. A oficina encerrou com a exibição fechada dos mapeamentos de quem participou.
Autoritarismo e extrema direita
Ações preventivas e de resposta ao assédio digital
Nesta oficina propôs-se abordar o doxxing e anti-doxxing / mitigação, especificamente de governos autoritários, através do mapeamento de ações a realizar antes, no momento e depois de que se tenha colocado em prática o doxxing. Conversamos sobre a situação de nossos países em casos concretos e compartilhamos algumas ações de mitigação que foram úteis para enfrentar esta violência que as ativistas estão experimentando cada vez mais.

Acompanhamento de violências com enfoque migrante (PAP)
Em um contexto no qual as direitas e as extremas direitas constroem seu discurso político narrando as pessoas migrantes como inimigas, esta oficina abordou a migração como um direito humano e com um enfoque transfeminista. Fizemos mesas de trabalho por países para conversar sobre os discursos, as contribuições à cultura e a normativa ao redor da migração em cada território, posteriormente, realizamos uma partilha coletiva, articulando-a com a saúde mental, os impactos da migração e algumas ferramentas úteis para acompanhar uma pessoa migrante em contextos de crise e criminalização.
Descolonização digital e violências digitais para além do gênero
Infraestruturas autônomas e os cuidados digitais como ferramentas
Realizou-se uma Roda dinâmica na qual se compartilharam estratégias, ferramentas úteis nos coletivos e experiências por territórios mediante equipes de trabalho. Esses diálogos serviram para que pudéssemos levar algumas ferramentas úteis em nossos espaços para acessar, desenhar e usar infraestruturas digitais seguras.

O campo do cyber feminismo/feminismo hacker
Através de novas perspectivas e modos de fazer que estão surgindo na América Latina, conversamos sobre as iniciativas e aprendizados hacker que surgiram em distintos países. Co-criamos estratégias para enfrentar a ultradireita a partir desses ativismos e pensamos em eixos de ações e lugares onde focalizar redes de apoio e colaboração para uma internet segura e transfeminista.

Revisão de leis que protejam as comunidades de violência digital
Mediante mesas de trabalho, realizamos a metodologia do semáforo para falar sobre as necessidades, o papel do Estado e as leis atuais vigentes em cada país vinculadas com as violências digitais. O objetivo foi revisar as fortalezas, necessidades e debilidades e assim, pensar coletivamente em projetos que possam suprir esses desafios.
Técnicas, amuletos e outras ervas para o cuidado
Nesta oficina conhecemos distintas ervas naturais e curativas que germinam ao redor de distintas latitudes da região, compartilhando nossos saberes e experiências e combinando-os como uma técnica de autocuidado e acompanhamento coletivo em situações emocionais e situacionais. Foi uma possibilidade de retomar os conhecimentos das avós e ancestrais para colocar no centro o cuidado de nós e das pessoas que estão ao nosso redor.
Espaços de cuidado coletivos
Corpos em movimento como tecnologias sanadoras
Através da música e de movimentos corporais, trabalhou-se o autoconhecimento, confiança entre companheiras/os, a conexão entre corpo e emoções, como também outros aspectos como a energia e flexibilidade.

Jornadas de lazer e exploração do espaço
O encontro além disso considerou como parte vital o conhecimento e vinculação com o território que o acolheu. Por isso, organizaram-se caminhadas e outras atividades na zona que facilitassem essa conexão.

A partir da aliança duradoura entre os nós Sul, Andino e Mesoamericano que surgiu dos encontros presenciais de 2025 e das chamadas de mais de dois anos. O Encontro Interespecial se propôs a manter o calor e a força dos encontros cara-a-cara e permitir o cruzamento de preocupações, desafios e desejos desde distintas geografias e lutas.

Por que um encontro?

Criar uma aliança duradoura entre nossos territórios e ativismos é nossa missão. Para isso, precisamos reunir nossas preocupações, desafios e desejos desde distintas geografias e lutas. Buscou-se reforçar vínculos, reconhecer tensões comuns e tecer rotas futuras.

Da mesma forma, traçaram-se os objetivos de:

  • Cartografar coletivamente os temas urgentes, os desafios compartilhados e os desejos coletivos.
  • Criar cruzamentos temáticos e afetivos, que deem origem a colaborações ou iniciativas regionais.
  • Sustentar o sentido de coletividade para além do presencial.
  • Definir prioridades ou próximas ações, sem esgotamento.

Como fizemos?

O Encontro Interespacial Transhackfeminista foi desenhado como um processo virtual que articulou momentos de reflexão emocional, trabalho colaborativo visual e planejamento estratégico. A metodologia combinou check-ins emocionais, espaços de memória coletiva, cartografia participativa e salas de trabalho mistas, tudo documentado em tempo real para garantir transparência e continuidade.

Estrutura do Encontro
A jornada se organizou em momentos sequenciais que permitiram transitar desde a abertura afetiva até a priorização concreta de ações:
1. Abertura — Boas-vindas e estabelecimento do marco emocional do encontro.
2. Memória — Recuperação dos encontros presenciais de 2025 mediante fotos, notas e vídeos.
3. Cartografia — Mapeamento coletivo de preocupações, tensões e sentires.
4. Pausa — Momento breve de autocuidado e desconexão.
5. Análise + Estratégias — Trabalho em salas mistas sobre estratégias políticas transfeministas.
6. Futuro — Definição de projetos desejados e políticas de cuidado.
7. Síntese — Plenária com apresentação de achados por sala.
8. Encerramento — Roda final de palavras e consenso de próximos passos.
Detalhes Metodológicos
- Quadro visual: utilizou-se um quadro visual para a Cartografia de preocupações, tensões e sentires. Perguntas guiadas para explorar preocupações, tensões e sentimentos. Cada participante adicionou post-its virtuais em colunas do canvas digital. Os elementos foram agrupados por afinidade visual para identificar padrões comuns.
- Primeiro, Memória: ocupamos um tempo para uma breve exposição sobre o ocorrido nos encontros presenciais de 2025. Representantes de cada Nó apresentaram fragmentos de sua experiência.
- Análise de Contexto e Estratégias: reconhecemos nossas estratégias e práticas de cuidados. Trabalhamos nas formas de co-construção e ampliação de propostas, assim como também a construção de redes de apoio e aliança. Neste ponto, foi ótima a divisão em salas mistas de no máximo 20 pessoas (4-5 por sala) para garantir participação equitativa.
- Sonhar nossos Futuros Coletivos: é muito importante para nós imaginar nossos futuros desejados. Listamos projetos, pensamos em metodologias colaborativas e nos recursos necessários.
- Identificar os cruzamentos e a síntese ao vivo: para não perder as conclusões da plenária, apresentamos os achados e cruzamentos ao vivo. Uma facilitadora sintetizou em um Mapa de Cruzamentos Desejáveis.
Ferramentas e Práticas-Chave
ElementoDescrição
Check-ins emocionaisValidação do estado afetivo antes de iniciar trabalho profundo
Canvas digitaisEspaços visuais colaborativos para cartografia e memória
Salas mistasGrupos heterogêneos para cruzar perspectivas territoriais
Documentação em tempo realRecopilação imediata de conclusões
  • Ao longo do ETDD destacamos como aprendizados relacionados com a construção do encontro: a diversidade linguística e a necessidade de criar pontes comunicativas, a autogestão e os desafios em tempos de desfinanciamento em organizações de DDHH e da sociedade civil.
  • Aprofundamos sobre práticas e estratégias de cuidado individual e coletivo. Por isso, realizamos guias de orientação e documentos formais colaborativos voltados ao nosso cuidado integral.
  • Desenhamos metodologias inovadoras e disruptivas replicáveis para conduzir momentos coletivos, organização de eventos e trabalho interdisciplinar.
  • Destacamos como aprendizados compartilhados durante o ETDD: estratégias de cuidado e comunicação, contextos geopolíticos e jurídicos dos países participantes, captação de recursos, enfoques utilizados pelos grupos, experiências de trabalho e oportunidades.
  • O processo de preparação, planejamento e execução do ETDD também contribuiu para a construção de relações de confiança que se estabeleceram no interior deste grupo e que são de suma importância para as articulações e colaborações nos territórios de forma transnacional e com uma perspectiva regional.
  • No mapeamento de contextos regionais diversos, reconhecemos a vigilância estatal e corporativa crescente como uma ameaça comum. Nesse marco, coincidimos que: a privacidade e a segurança são direitos humanos fundamentais.
Rede/Aliança Transhackfeminista Latino-americana
Buscamos criar uma agenda regional 2025-2027 para nossos transhackativismos, consolidando uma Rede/Aliança Transhackfeminista Latino-americana consensuada desde os territórios. Uma rede de solidariedade robusta e autônoma que garanta a sustentabilidade dos ativismos frente à vigilância e à violência.
Rede de acompanhamento digital
Projeta-se fortalecer linhas de ajuda e redes de acompanhamento digital a partir da implementação de uma linha de ajuda regional que compartilhe saberes, infraestruturas e conhecimentos técnicos, incluindo a sistematização de metodologias dessas linhas.
IA transfeminista
Propõe-se um projeto específico para enfrentar as violências facilitadas pela Inteligência Artificial, assim como a migração das comunicações para redes fora das tecnologias de vigilância massiva e o desenvolvimento de um OSINT consensuado e colaborativo para o cuidado mútuo.
Fundo colaborativo e transhacktivista
Sonhamos com a criação de um grande fundo de apoio para ativistas latino-americanas, a formação e a ideia utópica de um espaço próprio para o envelhecimento coletivo.
Cuidados transhacktivistas
No âmbito dos cuidados, priorizam-se os espaços de gozo, descanso e desenvolvimento criativo, a criação de um apoio psicológico para quem trabalha em linhas de ajuda, e a necessidade de espaços exclusivos para compartilhar sentires e projetos que fortaleçam o tecido afetivo.
Laboratórios transhacktivistas
Expandir o acompanhamento técnico, criar repositórios coletivos de recursos e assegurar que as iniciativas se multipliquem e expandam.

Neste espaço se encontram alguns dos recursos que construímos de forma coletiva e colaborativa para contribuir a uma internet transhackfeminista e ao uso de tecnologias críticas e soberanas.

Estratégias para a coordenação em rede e financiamento coletivo. Conversando em torno à solicitação de financiamento e ao fortalecimento da nossa coordenação em rede. Trabalhamos sobre ferramentas de gestão de projetos e captação de recursos. No seguinte link você pode encontrar o mapeamento de fundos em torno a tecnologia, DDHH e gênero.

Banco de fundos: https://cryptpad.fr/sheet/#/2/sheet/edit/Q66GE+L5MPIDvdwdPHjW9U1P/

Seguirá em construção!